domingo, 15 de março de 2009

Lembrando alguns conceitos úteis de Probabilidades


0.1 Apresentação


Este modesto texto é um resumo de várias notas de estudo sobre Teoria das Probabilidades, orientado para o estudo de Reconhecimento de Padrões. Como sabemos, existe uma família de classificadores baseados em métodos estatísticos, cuja compreensão requer uma base considerável de conhecimentos sobre Probabilidade, particularmente Probabilidade Bayesiana. A intenção deste trabalho é reunir, deforma resumida, as definições e conceitos relativos a essa base, fornecendo uma referência para consulta rápida. A idéia é que seja um material que permita relembrar muito rapidamente os conceitos,e havendo necessidade (ou desejo) de aprofundá-los, a pessoa certamente buscará melhores fontes. A sequência em que os assuntos estão dispostos reflete bem o caráter utilitário do texto. Por exemplo,começamos diretamente de Variáveis Aleatórias Discretas, considerando que conhecimentos prévios já estão sob nosso domínio.

0.2 Variáveis Aleatórias Discretas


Muitas vezes o resultado de um experimento não é numérico. Por exemplo, o experimento `Retire uma lâmpada de um lote e teste-a' tem como resultados possíveis `Defeituosa' ou `Não-defeituosa'. Por outro lado, um dado experimento pode ser traduzido numericamente de várias formas diferentes, e pode ser útil e necessário escolher uma delas. Assim, dado um experimento x e seu espaço amostral associado, S, uma variável aleatória X é uma função que associa a cada elemento s do espaço amostral, s Î S, um número real X(s).
Uma variável aleatória discreta é uma variável aleatória cujo contradomínio é um conjunto finito, ou infinito-enumerável.
Dado um experimento x, seja X uma variável aleatória discreta sobre o espaço amostral S associado a x. Isto é, X assume os valores X(S) = {x1, x2, ...}. Chamemos de XR o contradomínio de X. Para cada resultado possível xi, i = 1, 2, ..., podemos associar um número denominado probabilidade de xi: p(xi) = P(X = xi) satisfazendo as condições:

  1. p(xi) ³ 0, " i = 1, 2, ...

  2. å¥i = 1p(xi) = 1


Sendo assim, p é chamada função de probabilidade da variável aleatória X. A coleção de pares [xi, p(xi)] é chamada de distribuição de probabilidade de X.
Seja B um subconjunto no contradomínio RX da variável aleatória X, e A o conjunto formado por todos os eventos t tais que X(t) Î B. Então A e B são eventos equivalentes.
Seja X uma variável aleatória discreta definida sobre um espaço amostral S, com contradomínio finito. Se para cada xi Î X(S), definimos a probabilidade de xi como P(X = xi), obtemos um espaço de probabilidade. Chamemos de f a esta função, com domínio X(S) e contradomínio no intervalo [0, 1], definida como f(xi) = P(X = xi). f é denominada distribuição de probabilidade, função de distribuição ou distribuição de probabilidade de X.Dado que X(S) = {x1, x2, ..., xn}, a distribuição f satisfaz:

  1. f(xi) ³ 0, i = 1, 2, ..., n

  2. åni = 1f(xi) = 1

Lembremos que P(X = a) = P({s Î S : X(s) = a}).
Uma vez definidas as variáveis aleatórias, definimos alguns elementos que caracterizam uma variável aleatória:

  1. Esperança ou Média
    Seja X uma variável aleatória discreta finita. Em geral podemos definir a média de uma variável aleatória X como E(X) = x1f(x1) + x2f(x2) + ... + xnf(xn) = åni = 1xif(xi). Isto é, a esperança é a média ponderada dos possíveis valores de X, ponderados por suas probabilidades. A média é também denotada como mX ou m.

  2. Variância
    A variância mede o espalhamento ou dispersão dos valores assumidos por X, em relação à sua média. O que, em muitas aplicações, é uma informação mais útil do que a média em si. A variância é dada por var(X) = åni = 1(xi - m)2f(xi) = E((X - m)2), onde m é a média de X.

  3. Desvio-padrão
    O desvio-padrão de X, sX = Ö{var(X)}, é a raiz quadrada da variância de X.





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On 09 Apr 2009, 19:06.